7 diferenças entre e-book e impresso


Impresso x e-book

Será que existem mesmo tantas diferenças entre um e outro formato? A discussão sobre semelhanças e diferenças entre e-book e impresso são antigas, mas é comum que se restrinjam à defesa veemente de preconceitos. Tentarei não cair no mesmo esquema. Nenhum dos comentários e opiniões expressos aqui se aplica na íntegra à leitura feita em computador; a maioria pode até se aplicar à leitura em smartphones, mas no geral as impressões derivam da leitura em dispositivos dedicados (e-readers) ou, como segunda opção, à leitura em tablets. Feito esse esclarecimento, prossigamos.

O mundo dos leitores, ao menos no Brasil, ainda se divide em pelo menos três grandes grupos:

  1. os detratores do e-book, que defendem o objeto livro como um valor em si, seu cheiro, sua posse e seu acúmulo;
  2. os entusiastas do e-book, que louvam suas vantagens em termos de acessibilidade (ajuste do tamanho da fonte, recurso text-to-speach, portabilidade de grande número de títulos num espaço e peso reduzidos) embora ainda considerem o preço praticado por aqui pouco convidativo; e
  3. aqueles que assinariam embaixo de ambas as posições e navegam entre os hábitos dos dois grupos anteriores, ou seja, lêem e compram tanto versões impressas como digitais.

Em termos de proporção eu arriscaria dizer (pura especulação, não realizei qualquer pesquisa ou teste estatístico que suporte esse palpite) que o segundo e terceiro grupos ainda perdem feio para o primeiro.

Tenho a forte impressão de que a posição de resistência ao e-book predomina naqueles que nunca experimentaram a leitura num e-reader com tela e-ink e associam a leitura de e-books à experiência de leitura na tela de computador. Claro que esse comentário só se aplica a pessoas da minha geração (nascidos antes dos anos 80), aquelas que não nasceram em frente a uma tela LCD e não engloba todos aqueles que desconhecem a vida sem um smartphone. Para os chamados nativos digitais talvez soe mais estranho ler em papel, se é que o estranho para boa parte dessa turma não é a própria leitura de livros, essa coisa um pouco antiga e infelizmente vista como enfadonha por muitos. Mas, voltemos ao foco: por que o e-book é criticado e rejeitado? Examinemos os argumentos.

1) Manuseio do livro

Para os amantes do livro físico, o simples folhear, eventualmente acompanhado de uma inspiração profunda para captar o cheiro do objeto, são argumentos imbatíveis para manter a preferência. Quanto a isso só há mesmo paliativos. No caso do iPad, temos a ilusão proporcionada pelo iBooks, que simula lindamente o folhear de páginas; mas os e-readers que conheço não possuem substituto para esse pequeno prazer. Quanto ao aroma do livro, que tantos elogiam (minha rinite não me permite tais arroubous, especialmente no caso de livros vindos de sebos) já existem essências com cheiro de livro, que, futuramente poderão ser “adicionadas” aos aplicativos de leitura. Mas esse é um tipo de argumento que tem relação com rituais (coisa que também aprecio, aliás) e não com a satisfação da leitura em si.

2) Conforto na leitura

A leitura numa tela e-ink (e-readers como Kobo, Kindle, Sony, Cool-Er ) é perfeitamente equiparada à leitura em papel, com uma vantagem que é o menor peso. E-readers pesam ao redor de 130 a 300g, enquanto um livro como Guerra e Paz ou Ana Kariênina pode chegar a quase 2 kg, dependendo da edição. Tanto no momento da leitura como na hora de carregar o volume, essa diferença é uma vantagem em favor do formato digital. Essa vantagem também existe, mas em menor medida, se a leitura se der em um tablet. Nesse caso, porém, se perde a vantagem do conforto visual, pois as telas de tablets emitem radiação e tendem a tornar a leitura mais cansativa que numa tela e-ink ou no papel. Ainda, a disponibilidade de n outros aplicativos além do conteúdo do livro funcionam como fator de dispersão e eu vejo nisso uma desvantagem para os tablets, mas usuários sem a característica da dispersividade poderão contrapor esse argumento.

3) Acessibilidade

A possibilidade de ajustar o tamanho da fonte conforme o gosto ou necessidade do leitor pode parecer um argumento bem tolo para quem tem menos de 40 anos, mas torço para que todos ultrapassem essa marca e possam se utilizar dessa vantagem do e-book. Funcionalidade disponível tanto para leitura em e-reader como em tablet, desde que o formato do e-book não seja PDF.

4) Disponibilidade imediata do livro

Se deixarmos de lado o limitante do peso para carregar determinadas obras, aqui há uma eventual vantagem do livro impresso. Embora a bateria de um e-reader possa durar várias semanas sem necessidade de recarga, isso não se repete no tablet (cuja autonomia é muitíssimo inferior a dos e-readers) e durante uma viagem você corre o risco de ficar sem bateria no meio daquele capítulo que tanto está te interessando. Com o impresso isso não ocorre. Mas trata-se de desvantagem pequena e capaz de afetar somente os menos organizados (como eu, por exemplo).

5) A compra

No processo de compra, o e-reader leva grande vantagem. Quem está interessado em um título impresso precisa se deslocar até uma livraria ou sebo ou esperar algum tempo (no mínimo 2 ou 3 dias) no caso de ter efetuado a compra em uma livraria online. Mas se vai ler num e-reader ou tablet, sua ânsia para começar a leitura pode ser aplacada em questão de segundos. Claro, sei que isso só é relevante para leitores muito vorazes ou particularmente ansiosos.

6) Anotações e marcações no texto

Tenho amigos que seriam capazes de matar caso algum herege se atrevesse a deixar qualquer tipo de marca em seus livros impressos e em hipótese alguma fariam anotações ou sublinhariam trechos de seus textos preferidos. Não faço parte desse grupo e sempre adorei comentar e destacar certas frases ou parágrafos. É gostoso fazer isso num livro impresso, seja com uma lápis de boa textura ou uma daquelas canetas que deslizam deliciosamente pelo papel. Mas também posso fazer isso (ok, não é tão prazeroso, mas é viável) em qualquer e-book lido num e-reader ou tablet. O recurso também permite compartilhar tais anotações ou marcações em redes sociais (certo, também não acho isso particularmente vantajoso, mas creio que a geração atual aprecia esse tipo de ferramenta).

7) Autógrafos

Uma das queixas, talvez mais de autores e editoras que de leitores, é o lance do autógrafo. Afinal, uma noite de autógrafos é sempre uma boa oportunidade de divulgação. Mas e-books também podem ser autografados. Existem aplicativos (alguns gratuitos, outros pagos pelo autor) que permitem ao escritor dedicar uma mensagem pessoal a cada leitor e mesmo uma assinatura (que pode ser de próprio punho se o autor dispuser de uma tela touchscreen como um tablet e sairá tanto melhor quanto sua habilidade com o mouse ou com um caneta stylus permitir). O autógrafo eletrônico é enviado diretamente de um autor para qualquer dispositivo de leitura digital de um leitor. O autógrafo não fica “dentro” do e-book, na verdade ele é enviado como um arquivo à parte, mas cumpre bem a função de aproximar o leitor de seus autores favoritos. No lugar da noite / tarde de autógrafos, o autor pode enviar um aviso aos seus contatos com o link onde o leitor pode solicitar o autógrafo.

E para encerrar, caso não tenha sido clara o bastante, friso que os argumentos apresentados não tem nenhuma intenção de defender ou acusar qualquer dos formatos. Pretendem, apenas, esclarecer possíveis dúvidas ou reduzir o desconhecimento acerca de um formato ainda pouco disseminado em nossas terras. Amo livros impressos, e gosto igualmente de e-books porque para mim o real valor de um livro está em seu conteúdo. Claro que detalhes como diagramação, fonte e capa contam pontos, mas entendo que são desejáveis e devem ter boa qualidade independente do meio em que se encontrem. Tolstói não é menos interessante no formato digital e Virginia Woolf não se torna ainda mais impactante se lida em papel – é o arranjo competente das palavras que faz o bom texto e o prazer de lê-lo.

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