Como publicar via Saraiva


Publique-se – a plataforma de autopublicação da Saraiva

Lançada sem muito alarde, esta foi uma das primeiras plataformas a ser disponibilizada no nosso bom e velho português. O funcionamento é muito similar ao de quase todos os serviços do ramo, com o diferencial de que a Saraiva solicita a assinatura física do contrato, de modo que o e-book só é disponibilizado para venda após o envio do documento assinado pelo correio.

Para cadastrar-se no serviço, basta acessar este link. Na página web da Saraiva não é muito fácil encontrar o caminho, possivelmente porque a plataforma já não é uma prioridade do grupo, que em termos de e-books está empolgando mais com o seu e-reder, o Lev.

Uma coisa bacana é o manual para autores que eles disponibilizam, que aliás, traz dicas legais mesmo para quem não vai publicar por lá.

A experiência de quem já publicou

Este site não se resume a publicar somente as minhas experiências de auto publicação, no caso da Publique-se, vamos trazer as percepções da escritora Ana Mello, que contou, em uma entrevista feita por e-mail, como foi a publicação do seu e-book de poemas Nas Patas dos Gatos pela Publique-se.

Ana não é exatamente uma novata em processos de auto publicação já que, em 2004, havia publicado uma espécie de e-book para ler no computador. Tratava-se de um arquivo executável em formato de livro, que permitia ao leitor virar as páginas, imitando o procedimento com o livro físico. O material foi distribuído inicialmente através de mini CD´s e por e-mail e agora é disponibilizado gratuitamente no seu site junto com outras publicações.
O e-book  “Nas Patas dos Gatos“, publicado através da Publique-se, foi produzido no formato texto + ilustrações, enviado em PDF e convertido para ePub pela própria plataforma. Segundo Ana, o cadastro na online da Publique-se é relativamente simples de ser preenchido, mas, ao contrário da maioria das plataformas internacionais (Amazon, Kobo, Lulu ou Smashwords), é exigido que o autor registre o contrato em cartório e envie pelo correio. Assim que a Saraiva receber o documento, o material enviado pela plataforma é disponibilizado para venda no site da livraria.
Quando decidiu se aventurar nessa modalidade de publicação, Ana Mello não estava preocupada com volume de comercialização ou com o percentual que receberia do preço de venda. Aliás, ela confessa que nem lembra qual proporção receberá do preço de venda. Mas considerando que isso poderá interessar bastante a outros autores, fui pesquisar as políticas da plataforma, que podem ser resumidas como segue.
  • Embora o contrato sugira que o percentual dependerá do preço de venda estabelecido, a única informação clara que encontrei foi de que o autor receberá 35%  do preço de capa.
  • A qualquer tempo é possível alterar o preço de venda, para fazer promoções, por exemplo, mas a mudança não é automática, passa pela avaliação da Saraiva e pode levar até 5 dias para se refletir no preço do e-book no site.
  • O autor escolhe se quer ou não embutir DRM no arquivo, o que é uma vantagem para aqueles que preferem eliminar o DRM. Algumas plataformas não dão essa chance de escolha (Amazon, por exemplo). Entretanto, não cheguei a comprar nenhum e-book para testar se realmente estão livres da proteção
  • As telas de gerenciamento oferecem relatórios bem simples de todas as vendas efetuadas, por data e título, mas não parece ser possível gerar cupons de desconto ou oferecer o download free por tempo limitado (não tenho certeza disso, pois não tive paciência de ir ao cartório e enviar meu termo de adesão para poder usar a plataforma)
A intenção de Ana Mello ao aderir a essa modalidade de distribuição era a de  divulgar sua obra na livraria, mas sua avaliação é de que o investimento de tempo não se paga, ela acredita que vale mais a pena distribuir o e-book gratuitamente no próprio site, como ela tem feito no portal Literatura Digital onde já teve quase 900 acessos controlados através de um cadastro inicial feito pelos leitores. Com isso, Ana avalia que a experiência com a plataforma Publique-se não agregou muito em termos de divulgação, que era o o seu objetivo.
Resultado que parece confirmar minhas percepções sobre as chances reais de se obter boas vendas em e-book no nosso mercado. Sem um plano prévio e bastante bem estruturado para a divulgação, é pouquísismo provável que se consiga atingir um bom público. Uma outra evidência disso se pode obter comparando a lista dos mais vendidos com as promoções periodicamente enviadas pelas lojas com promoções de certos títulos. É bem comum que haja certa coincidência entre as listas divulgadas e os´e-book smais vendidos no site da loja. Menos por conta das promoções do que pelo fato de serem comunicações direcionadas a um público consumidor muito específico, pois nunca é demais lembrar que da fatia não tão larga de consumidores-leitores, a proporção dos que compram e-books é ainda mais delgada.
Não coloco essas visões como forma de desestimular a adoção dessa estratégia de publicação, mas para que todos tenham muita lucidez ao planejar suas próprias iniciativas. E nos mantenhamos de olhos atentos ao que ocorre nesse cenário.
Quem tiver experiências outras para partilhar conosco, escreva um e-mail ou deixe um comentário aqui abaixo.

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