Crowdfunding para livros


O que é crowdfunding?

crowdfunding ainda é algo relativamente novo, mas vem crescendo no Brasil e tem sido bastante procurado por artistas independentes (mas com bom planejamento e em geral com boas equipes trabalhando junto) para viabilizar diferentes atividades culturais, inclusive para a publicação de livros.

Só me interessei por entender mais a fundo a dinâmica desses portais que captam recursos via web depois de ser convidada a apoiar uma peça de teatro na qual atua uma amiga. Foi assim que conheci o Catarse e decidi investigar se e o quanto aquele mecanismo era aproveitado para viabilizar projetos na área de literatura. Então, resolvi avaliar os tipos de projetos cadastrados e as estratégias utilizadas pelos que pleiteavam recurso para viabilizar suas publicações, fosse no formato impresso, e-book ou ambos.

Segundo o Estadão, em 2012, plataformas de crowdfunding cresceram 85% e arrecadaram US$ 1,4 bilhão no mundo, viabilizando desde projetos de produção de hardware a eventos e produtos culturais. No Brasil, o crowdfunding se consolidou principalmente como um modelo de apoio a projetos culturais, mas em outros países é muito utilizado por diversos tipos de empreendimentos. Esses serviços cobram um percentual do total arrecadado, caso a meta de arrecadação seja atingida. Em geral esses sites funcionam de modo similar, variando as taxas cobradas e o tipo de apoio na elaboração das campanhas. Em algumas plataformas, quando o projeto não consegue o total previsto, não leva nada e a grana é devolvida aos apoiadores (que são convidados a escolher outro projeto a apoiar).

Quem é quem no crowdfunding no Brasil?

Catarse

Em uma análise feita na plataforma Catarse, em 2013, encontrei 67 projetos na categoria literatura. Atualmente há bem mais de trezentos. O número de campanhas financiadas também cresceu muito, possivelmente porque os usuários foram aprendendo com os erros dos iniciantes e conseguiram trabalhar melhor suas campanhas para atingir as metas de arrecadação.  Lembro que na análise que fiz em 2013, em torno de 34% das campanhas lançadas era bem sucedida, um percentual baixo se comparado com o que se via em outros tipos de projeto como gravação de CD´s ou realização de peças teatrais.

Na época, procurei observar as diferenças entre os projetos aprovados e os não financiados, e o que vi na época confirmou o que vim a aprender em cursos online oferecidos pelas próprias plataformas de financiamento coletivo. Em geral os projetos não financiados são cadastrados no site sem o devido planejamento, com descrições incompletas do projeto e aparentemente sem um plano de divulgação (há alguns que não obtiveram nenhum apoio!); diversos pleiteiam um valor muito baixo, que pode estar associado ao desconhecimento do custo total envolvido num projeto bem elaborado de publicação e mesmo das taxas cobradas pelas plataformas. Absolutamente todos os projetos não apoiados ficaram muito longe da meta, ou seja, não é que tenha faltado pouco apoio para chegar lá, senão que quase nenhum apoio foi efetivamente angariado (na análise da época nenhum tinha conseguido mais de 29% da meta, sendo que a maioria ficou entre o 0 e o 5%).

Os projetos que foram apoiados (ou estão perto de atingir a meta) tem em comum uma descrição mais detalhada ou bem cuidada do projeto (incluindo especificação de como o recurso será empregado) e costumam ter “recompensas” simpáticas para os apoiadores, como brindes exclusivos, personalização de exemplares e os que analisei com mais cuidado foram projetos encaminhados por gente que já tem alguma estrada na área, mesmo que seja apenas na blogosfera, como o Beto Pacheco e a Izadora Pimenta, por exemplo. Também se percebe que os projetos apoiados pediram mais dinheiro, e contam como esse dinheiro será usado. #ficaadica, então.

Também notei que, dos 23 projetos que conseguiram arrecadar o valor previsto, somente três possuíam versão e-book ou previam este formato como parte do projeto. Esquecimento, desinteresse? Confesso que esperava mais.

Começa.aki

No Começa.Aki não descobrir qual taxa de admnistração eles cobram porque tive preguiça de fazer o cadastro e a informação não estava clara e acesível no  site. Em 2013 havia apenas um projeto envolvendo publicação e ele arrecadou somente 3% do planejado. Voltei a pesquisar os tipos de campanhas em janeiro de 2016 e havia somente um outro projeto, desta vez apoiado. Ficou claro que essa não é uma plataforma utilizada para viabilizar a publicação, embora não haja nenhum impedimento para isso.

Juntos.com.vc

Juntos.com.vc, que não cobra taxa de administração porque capta recursos para se manter, é mais voltado para financiamento coletivo de projetos de cunho social. Na primeira vez que entrei no site, em 2013, não encontrei nenhum projeto relacionado com literatura (busquei na categoria Arte & Cultura) e mesmo agora há pouco coisa nessa linha, mas vale destacar a revista digital AzMina , que foi apoiada e está no ar há algum tempo (aliás, eu apoiei e acho bárbara a iniciativa!).

Zarpante

O Zarpante (taxa de 7%) é português mas seu foco é o mundo lusófono. De qualquer modo, só encontrei lá 2 projetos um apoiado (infantil) e outro em fase de captação (religioso), ambos do Brasil, focados em versões impressas. No kickstarter (em inglês, mas com vários projetos brasileiros) havia projetos para publicação bem sucedidos nos EUA e Canada, mas não no Brasil.

Kickante

A Kickante é hoje uma das plataformas mais atuantes no Brasil e embora tenha chegado depois do Catarse, veio com uma ótima estratégia de oferecer qualificação e dicas para quem vai inscrever campanhas de arrecação. O resultado é que o percentual de projetos aprovados é bem grande por lá.

Bookstart

Por fim, vale mencionar a Bookstart, que é uma plataforma de crowdfunding para livros. Isso mesmo, seu foco é a publicação de livros via financiamento coletivo e que tem canais específicos para autores independentes e para editoras (sim, editoras também já estão lançando mão dessa estratégia para publicar suas obras).

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