Dicas sobre Contrapartida Social

contrapartida social para editais de apoio à cultura

Por quê escritores devem saber sobre contrapartida social?

Se você já passeou pelo site e entendeu que os editais de apoio à cultura são uma boa oportunidade de publicação da sua obra, sabe que a contrapartida social é um ponto central para a aprovação do seu projeto. Esse post vai dar algumas dicas para você pensar em contrapartidas relevantes que possam aumentar as chances da sua publicação se concretizar porque em se tratando de editais públicos, para acessar os recursos, o escritor-proponente precisa oferecer algo à sociedade além da genialidade de sua obra. Normalmente os editais já estabelecem como regra a doação de um certo número de exemplares, mas se você se limitar a isso a chance de ter seu projeto aprovado é bem baixa.

A ideia aqui não é oferecer um menu de contrapartidas sociais para dar CTRL +C / CTRL+V no seu projeto, mas para suscitar a criatividade (além da criação da obra) e alertar para a importância de pensar na coerência com os propósitos de cada edital.

Aliás, devo dizer que, sem ajuda eu não teria sequer decidido concorrer, principalmente porque a sensação que me invadiu após a primeira leitura do edital foi de total incompetência. O pessoal da Textifique, em um longo papo por skype, amainou meu desespero e ajudou a entender algumas exigências e sugeriu algumas das possíveis formas de atendê-las. E funcionou!

Coerência com a proposta do edital

Cada edital tem seus próprios critérios de avaliação, dependendo de seus propósitos. Assim, antes de começar a preencher o formulário de inscrição, procure entendê-los, pois isso ajudará a elaborar o projeto e especificar adequadamente as contrapartidas sociais.

O edital do qual participei era focado em “Desenvolvimento da Economia da Cultura” com a finalidade, dentre outras, de apoio à produção, inovação e circulação de bens culturais. Os critérios de avaliação, neste caso, incluíam (embora escrito em outros termos) a possibilidade de envolver e gerar renda para profissionais de diferentes áreas culturais ligados à execução do projeto (cadeia produtiva que viabilizaria a publicação e divulgação da obra). Como atender isso? Por exemplo, prevendo a cobertura fotográfica dos eventos de lançamento ou mesmo das atividades de contrapartida social e, se houver chance, incluindo apresentações artísticas nos lançamentos (música, dança, representação).

Tenha fôlego e paciência para reler, pois os editais são cheios de detalhes e uma pequena nota pode indicar a atribuição de pontuação extra ao seu projeto caso você preveja certos detalhes a realizar (cidades a contemplar, bairros específicos, público alvo).

Contrapartidas relevantes e relacionadas ao projeto

Meu projeto envolvia a execução de três produtos culturais (livro, site e e-book), e o edital exigia que, no caso de livros, ao menos 5% da tiragem fosse entregue como contrapartida social. Devido à peculiaridade da obra e ao detalhe de que o edital mencionava como critério de avaliação a inclusão de ações de desenvolvimento da cultura digital, além de colocar como contrapartida social a distribuição gratuita do e-book, foi inserida como parte do projeto, a realização de oficinas em escolas para orientar professores na utilização de recursos digitais como ferramente de fomento à leitura, potencializando as chances de aprovação. Deu certo! Multiplamente, aliás, pois além de ter tido o projeto apoiado, a realização dessas atividades trouxe muitos ganhos na interação com leitores – visibilidade, feedback, gratificação pessoal, multiplicação de conhecimento e compreensão sobre um determinado grupo de leitores (estudantes e professores do ensino médio) com o qual não teria tido contato de outra forma.

Inovação realista

Convém, no entanto, ousar com lucidez. Com isso quero dizer para o escritor prestar atenção não apenas às letras normalmente miúdas dos editais, mas também às suas próprias capacidades. Ao estabelecer a doação de um número dez vezes maior do que o mínimo exigido para a doação de livros às bibliotecas estaduais, subestimei o que isso significaria na prática, uma vez que eu mesma deveria fazer a entrega a cada uma das instituições eleitas. Isso significa tempo, elaboração de documentos (comprovantes da entrega) e descolocamento.

No caso das oficinas, também subestimei o grau de dificuldade em contactar escolas que se interessassem pela programação; o tempo necessário para explicá-la e organizá-las em cada uma das escolas e as adaptações em função da estrutura física de cada local. Em um dos quatro municípios onde as oficinas foram realizadas, por exemplo, foi preciso contactar 3 escolas diferentes até encontrar a necessária receptividade, e tudo isso tendo que cumprir prazos, claro.

Deixo uma dica bônus para quem quiser explorar o uso da tecnologia digital em sala de aula precisa pensar primeiro em abordar os professores, que nem sempre conhecem aquilo que para os alunos pode ser lugar comum. Aliás, disponibilizei no slideshare uma serie de apresentações que podem servir de apoio para o desenvolvimento de atividades nesse sentido (para usar em moderação)

Vale a pena?

Não vou desgastar a máxima do poeta para reafirmar que tudo vale a pena. Vale, sem dúvida. Aprende-se com os erros e colhe-se satisfação com os acertos. No caso específico da contrapartida social,  quem realmente ganha é, ainda, o autor, ao menos nos casos de atividades que envolvem contato direto com os leitores em potencial.  Ter a oportunidade de ver nos leitores as suas reações e ouvir suas interpretações, saber o que encanta e o que não conquista no seu texto, ah… isso não tem preço!

E então, tem um projeto aí na gaveta? Tem dúvidas? Recomendo o trabalho da Textifique e tambem me disponho a papear sobre mais detalhes da experiência que vivi, é só mandar e-mail ou deixar um comentário aqui embaixo.

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