E-book é um bom negócio?


O negócio do e-books no Brasil:

Desde que comecei a me envolver um pouco com o tema dos e-books, em 2010, pesquiso de modo periódico e não sistemático as iniciativas que chamam a atenção no meio da produção, venda e divulgação de livros no formato digital. O primeiro contato que tive com quem faz e-books foi com a Editora Plus, cujos idealizadores (alguns deles, ao menos) acabaram criando a Simplíssimo – uma das que resistem no ramo, aliás.

De lá para cá vi surgirem muitos “novos negócios”, ou startups, envolvendo desde a conversão de livros impressos para e-books até livrarias online exclusivas para e-books. Revisando os sites de algumas dessas iniciativas, percebo que muitas, mas muitas mesmo, ficaram pelo caminho ou redirecionaram sua atuação. Todas efetuaram, de algum modo, alterações na sua forma de operar que vale a pena analisarmos.

Enfatizo que o que apresento a seguir não é um rigoroso estudo de mercado, aliás, nem é um estudo de mercado. Trata-se de um apanhado que se baseia em minha curiosidade por empreendimentos dos quais tive notícia em algum momento a partir de 2010 e que resolvi conferir via web como estão sendo tocados atualmente e que contribuições consistentes trouxeram para o cenário dos e-books.

Não vou falar das editoras tradicionais, mesmo porque muitas delas ainda parecem lutar contra o e-book. Também não vou tratar de autores completamente independentes, sobre isso vocês encontrarão muitos outros posts nas seções Onde Publicar e Como Publicar. O papo aqui é sobre ideias dedicadas (ou que nasceram assim, ao menos) ao e-book como negócio.

Quem faz e-book no Brasil

KBR

Ao ganhar meu Kindle, em junho de 2010, logo reparei na KBR, pois havia muitos e-books dessa editora na Amazon. Precursora na edição de e-books e que já oferecia um número razoável de títulos para os clientes Amazon mesmo antes de existir uma loja brasileira.

Não tenho como avaliar rentabilidade ou outras variáveis financeiras, mas o fato é que a KBR segue atuando no ramo, o catálogo tem aumentado e sua posição no ranking da Amazon.com.br costuma não fazer feio. Lembro que, em 2011, a editora foi parceira da Livraria Cultura para divulgar e-books junto a um público que, em sua maioria, até então não possuía qualquer conhecimento a respeito. A estratégia envolvia a disponibilização, junto às estantes das lojas físicas da Cultura, de “folhetos” com a capa e a sinopse dos e-books da editora junto com alguma instrução sobre compra e leitura). Poucas editoras abraçaram a ideia. Não sei qual foi o resultado prático disso, mas pelo menos testemunhei alguns curiosos se informando na loja de Porto Alegre.

A KBR oferece suporte na conversão de livros para o formato digital, mas atua como uma editora de fato, ou seja, selecionando e publicando obras de acordo com seus critérios de seleção. E, apesar de limitar sua atuação à Amazon, oferece suporte de divulgação aos autores – elemento crítico para algum nível de visibilidade no caso de estreantes e, portanto, um diferencial interessante.

Simplissimo

A Simplissimo chegou a autodenominar-se editora, mas abandonou a alcunha e uma loja online que funcionou por alguns meses em 2010. Dedica-se atualmente a produzir e-books para Editoras; preparar e-books de autores independentes e disponibilizá-los nas principais livrarias online.

Através do site e da lista de discussão Revolução E-book foram durante um bom tempo os principais responsáveis por disseminar informação relevante sobre tudo o que envolve os e-books no Brasil. Em 2015, a lista e o informativo mudou de nome – Ebook News e a periodicidade de envio foi reduzida, mas as informações que circulam continuam sendo relevantes.

Os e-books produzidos pela Simplissimo são lindos e digo isso mesmo correndo o risco de ser acusada de puxa-saco e de advogar em causa própria, já que meu Pedaços de Possibilidade foi feito por eles. Mas digo e repito: são lindos e funcionam bem.

Dos treinamentos, que eram parte das atividades da start-up participei de apenas um, relativo a marketing para e-books. Pode-se dizer que foi mais um debate bem dirigido que um curso propriamente. Uma boa oportunidade de partilhar cases de sucesso e insucesso para que cada um pudesse orientar melhor seus próprios planos.

Respeitando a necessidade de adaptações para se adaptar ao cenário peculiar dos e-books no Brasil, os sócios dividiram-se e um deles formou outra empresa sobre o qual falarei adiante – a Booknando.

Livrus

Surgida (se não estou enganada) em 2011, o projeto é de Ednei Procópio, um dos caras mais antenados nesse cenário do livro digital no país e que tive a alegria de conhecer em um evento literário – a Fenelivro 2015. Quando espiei a ideia pela primeira vez fiquei um pouco confusa, pois havia dois sites muito parecidos – o Livrus.net, uma espécie de skoob, mas com a intenção de integrar leitores e autores, e a Livrus.com.br, portal que fala de diferentes braços do negócio e se autodefine como “uma editora que oferece serviços essenciais à publicação, comercialização e divulgação de títulos. É uma empresa que propõe soluções que integram autores e leitores em um mesmo ambiente através de um amplo e bem estruturado networking”.

Como uma iniciativa ligada em todos os movimentos que convergem para o livro, atualmente estão com uma proposta muito interessante de apoiar / orientar autores na elaboração de campanhas de crowdfunding para viabilizar suas publicações. Se ficou curioso, confira aqui: Livrus + Catarse.

Obliq Press

ObliqPress foi bastante atuante certa época na lista Revolução E-book e fez muito barulho em torno de um projeto inovador de publicação – o TitanicWare, depois sumiu por um tempo, se reinventou e atualmente o site oferece desde serviços de produção de e-books e web até coaching para autores e negócios. Seu idealizador, Claudio Soares, chegou a manter por algum tempo o portal Guia da Autopublicação, que de certo modo me inspirou a reorganizar meu próprio material a respeito. O conteúdo reunido está disponível nesta revista eletrônica e recomendo seu conteúdo – até porque há um artigo meu por lá… risos.

Buqui

Buqi Livros, apesar de manter sua loja virtual ativa e continuar oferecendo o serviço de edição de e-books para autores independentes (incluindo um pacote de divulgação da obra / autor), acabou ampliando sua atuação e entrou no ramo do impresso. Falta de demanda no segmento do digital ou resultados financeiros insuficientes? Não sei, inferências minha apenas. As obras de autores independentes da editora ficam sob o selo Buqi Self e é possível obter informações de custo no próprio site.

Digital Books

Digital Books – da qual tive notícia em algum momento de 2011 ou 2012 (confesso que não lembro e não guardei registros) prestava serviços de criação do e-book em formatos adequados para comercialização na Amazon e outras livrarias online, cobrando uma taxa de pelo menos 50% do valor de “capa” para gerenciar as vendas, mas as operações foram encerradas no final de 2015.

Livros Ilimitados

Livros Ilimitados entrou no cenário em 2011, utilizando concursos literários online como mote para se comunicar com autores com potencial interesse em bancar a edição de seus livros fosse em formato impresso ou em e-book. Os e-books inicialmente eram ofertados na loja online do site e muitos estavam disponíveis apenas em formato PDF.

Atualmente, além de uma livraria online que vende livros de várias editoras, a Livros Ilimitados é mais uma prestadora de serviços para autores que desejam contratar a edição de um livro impresso ou eletrônico. Dependendo do pacote contratado, eles providenciam lançamento e distribuição em diferentes lojas físicas, mas o % recebido pelo autor é muito parecido com o que seria pago por uma editora de fato, dessas que bancam toda a publicação.

e-Galáxia

Esta foi uma empresa que surgiu bem mais tarde e ao contrário de muitas que ficaram pelo caminho, preocupou-se em fazer algo diferente e se destacar. E conseguiu. Com um selo, o Formas Breves, que fez emplacar o modelo de venda de contos single nas principais livrarias online, especialmente a iBookstore, ganhou destaque e presença da lista de mais vendidos.

Com o slogan “mais livros, menos papel” criaram um portal que, além das atividades editoriais com curadoria, pretende conectar os diversos elos da cadeia de produção de e-books.

Booknando

O responsável por esta empresa foi sócio fundador da Simplíssimo e em meados de 2014 assumiu esse ramo concentrado em treinamentos. Além de cursos presenciais, a Booknando oferece uma série de cursos online, inclusive alguns gratuitos. Para quem quer aprender a criar e-books, uma ótima alternativa.

Negócio viável ou aventura passageira?

Em qualquer ramo de negócio não há nada de extraordinário no sumiço ou nas mudanças estratégicas para adaptar-se às mudanças do mercado, com o mundo dos e-books não poderia ser diferente. Aliás, nada mais óbvio do que o dinamismo numa área como essa, não? O Sebrae, tempos atrás divulgou um dado que pode assustar alguns, mas deve servir de estímulo à preparação: cerca de 60% dos novos negócios no Brasil costumam fechar em apenas um a dois anos depois de abrirem.

No caso dos e-books, a leitura que faço é de que vimos uma efervescência, baseada na realidade de mercado dos EUA, onde a venda de e-books já ultrapassou, em determinados cenários, a de impressos. Com isso, muita gente acreditou que no Brasil o fenômeno poderia se repetir, ainda que em menor escala.

É inegável que mesmo com a diferença de números, trata-se de uma oportunidade de negócio que veio para ficar, mas que não está sendo tão fácil nem tão rápido para os empreendedores encontrar o(s) caminho(s) menos espinhosos. Muito mais iniciativas do que essas que citei surgiram e desapareceram desde 2010, deixando sites fantasmas por aí ou nem isso. Mas é bacana ver que tem gente séria, determinada e esperta que vai adiante, mesmo que o ir adiante signifique remodelar, redefinir rumos e colocar a meta do e-book num outro patamar.

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