Limitações do e-book


e-books não eram aceitos em prêmios literários

Para quem já está acostumado aos e-books e tem visto iniciativas como o Prêmio Brasil em Prosa e a inclusão de uma categoria específica no Jabuti essa matéria do Jornal do Commercio sobre a falta de espaço para e-books em prêmios literários pode parecer coisa muito antiga, mas a verdade é que os e-books estão a léguas de desfrutarem do mesmo status e espaço que os livros impressos.

A situação vivida em 2011 quando inscrevi o Pedaços de Possibilidade no Prêmio Açorianos expõe algumas das dificuldades que ainda hoje persistem para a plena inclusão de obras lançadas exclusivamente em e-book em certames literários e que podem ter menos correlação com uma estratégia de mercado dos livreiros tradicionais para barrar o e-book do que com as dificuldades inerentes à avaliação da obra pelos jurados. Abaixo reproduzo a novela que foi concretizar a inscrição do meu e-book, depois de resolvido o aceite da inscrição pela intervenção da Simplíssimo, havia o desafio de como disponibilizar a obra (7 cópias) para os jurados.

(Julho/2011) Não foi tranquilo e óbvio como deveria ser, pois para que a inscrição fosse aceita houve alguma discussão entre a Editora e a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura, mas aí está! O e-book Pedaços de Possibilidade está inscrito no 18º Prêmio Açorianos – categoria especial (categoria para “obras cujas particularidades não permitam seu enquadramento nas demais categorias do Prêmio, como novas mídias, literatura epistolar e biografias, por exemplo“).

E-book Pedaços de Possibilidade no Açorianos 2011

E-book Pedaços de Possibilidade no Açorianos 2011

Resolvida a questão da obra ser ou não aceita, havia o desafio sobre o modo de entregar as 7 cópias requeridas. Como o objetivo da inscrição, além de ter a chance de ser lida pelo júri, era dar visibilidade ao e-book como um meio de propagação de literatura – um meio a mais, não um competidor ou um substitutivo, o ideal seria propiciar a leitura num e-reader.

CDs com instruções para leitura de cada formato dp e-book (ePub, Mobi e PDF)

CDs com instruções para leitura de cada formato (ePub, Mobi e PDF)

Chegamos a discutir a possibilidade de buscar apoio de algum fabricante de e-reader que se dispusesse a “emprestar” sete unidades para viabilizar aos membros do juri a experiência da leitura de um e-book no dispositivo mais apropriado. Não rolou, mas sou teimosa. O plano B seria produzir uma “versão online em CD” – algo que não oferecesse nenhum tipo de dificuldade ao jurado para acessar o conteúdo, mesmo que ele(a) não tivesse a menor intimidade ou mesmo simpatia pelo formato eletrônico. Mas o tempo era curto, então a teimosia levou ao plano C. Um CD com 3 formatos de arquivo disponíveis e uma dica breve sobre onde / como cada um funcionaria melhor.

A entrega em si foi um capítulo à parte. Como boa brasileira que gosta de aproveitar os prazos disponíveis, compareci à Coordenação do Livro na sexta-feira, dia 22, à tarde. Meio perdida, desacostumada desse tipo de trâmites, cheguei com as fichas devidamente preenchidas e assinadas mais os sete cdzinhos e interrompi uma reunião de trabalho que transcorria no local. Senti um certo desconcerto ou dúvida nos semblantes e movimentos dos presentes. Mas eis que está feita a inscrição!

Fora a questão de poder “infiltrar” um e-book  num prêmio literário, devo dizer que preferiria estar inscrita na categoria contos, pois o fato da coletânea em questão ter ficado entre os finalistas do Prêmio Sesc 2009 deve significar algo sobre sua qualidade. O que importa, porém, é seguir buscando as brechas possíveis, para o texto e para esse novo meio de fazê-lo alcançar leitores. E torçam para algo resulte…

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