Misto de editora e crowdfunding


Que o crowdfunding veio para ficar e está crescendo um monte de gente já sabe. Mas além das plataformas tradicionais, há iniciativas mais voltadas ao mundo dos livros, como a plataforma de crowdfunding especializada no foco editorial sobre a qual já falei aqui no site, a Bookstart e iniciativas como a publicação da antologia Desordem. Entre maio e outubro de 2014, o site Bookstorming (que já não está mais no ar) funcionou como uma campanha única de crowfunding especificamente para publicação da obra.

Não sei quais as razões que fizeram com que a iniciativa parasse depois de uma única publicação, que parece ter dado muito certo, mas essa volatilidade parece ser a marca dos nossos tempos.

Na época em que o projeto foi lançado houve muita divulgação e comentários, mas o site não tinha tantas informações, então enviei um “alô” para os responsáveis pela ideia e recebi um retorno rápido e atencioso. Uma das coisas que me responderam é que a ideia não era criar mais  plataforma de autopublicação via crowdfunding, mas sim tocar um processo editorial com curadoria. Segundo um dos idealizadores seria “uma nova experiência de compra dos livros, mas também uma nova forma de descobrir a literatura de qualidade que todos os dias se faz no Brasil e que não encontra espaço nas grandes editoras. Estamos atrás de livros instigantes, inovadores e que representem a riqueza da literatura brasileira contemporânea”.

Gostei demais de ver gente investindo nisso porque esta sempre me pareceu uma lacuna e tanto em nosso cenário. Muito se tem falado sobre as maravilhas e as mazelas da autopublicação, especialmente no âmbito dos e-books, e sobre as consequências de uma enxurrada de obras cuja qualidade só faz crescer a desconfiança em relação aos novos independentes. Quando colaborada com o blog EbookBR chegamosa dicutir isso e esboçamos o desejo de promover uma seleção que lançaríamos em e-book, mas somos leitores chatos e a verdade é que não conseguimos mobilizar textos suficientes que agradessem toda a equipe e nos motivassem a prosseguir com a empreitada, que aliás, é árdua (sabemos que parte do insucesso teve a ver com a divulgação deficiente da chamada, mas o caso é que acabamos abandonando a ideia). Nessa linha, vale mencionar uma editora independente e sem fins lucrativos que vem fazendo um trabalho muito bacana focado exclusivamente em e-books com distribuição gratuita, a Helena Frenzel, com o Quintextos.

Mas voltemos à questão de uma edição preocupada com qualidade e ao mesmo tempo empenhada em publicar gente nova fora do mainstream.  Fiquei tão animada de ver algo assim acontecer, como depois fiquei triste de ver a iniciativa diluir-se e sumir.

A ideia é tão boa quanto simples: nada de produzir pilhas de livros sem destino certo ou esperar que autores ainda pouco conhecidos sejam avidamente procurados nas livrarias; um bom trabalho de divulgação prévia, buscando o engajamento de leitores, contanto com a rede de contato de todos os autores. Acho promissor.

Quem desejasse apoiar o projeto, cuja meta mínima era de 700 livros comprados até o dia 20 de junho, era só fazer uma compra antecipada. Os livros foram enviados pelo correio, numa embalagem bacana e com uma ecobag de brinde. Tudo muito bacana, mas como várias coisas boas, durou pouco.

Fica a ideia de utilizar esse tipo de estratégia de publicação / lançamento de novos títulos.

 

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