Nanowrimo: uma virada na sua vida de escritor


O que é nanowrimo?

National Novel Writing Month (NaNoWriMo) é antes de qualquer coisa uma proposta de diversão para insanos do mundo todo que assumem o desafio de escrever um romance de, no mínimo, 50.000 palavras entre a hora zero do dia 1º de novembro e as 23:59 do dia 30 de novembro. Uma espécie de ONG que se propõe a motivar a  escrita como um caminho para tornar o mundo um lugar mais criativo e vibrante (palavras do time no “about” do site). Soa romântico e idealista, não? Mas vamos dar uma olha prática sobre os efeitos da mobilização que essa iniciativa promove analisando os dados mais recentes:

  • Houve 341.375 participantes em 2012, incluindo perfis tão variados como mecânicos de automóveis, desempregados, alunos do ensimo médio, professores de línguas ou letras, aposentados e por aí vai;
  • Ano passado 648 voluntários atuaram como uma espécie de embaixador municipal, pessoas espalhadas em 586 regiões de seis continentes  motivando e esclarecendo os demais participantes, organizando encontros para discutir e escrever;
  • 82.554 estudantes e educadores participaram do Programa Jovem Escritores, que promove o uso da escrita como uma ferramenta adicional do processo educativo (no Brasil não creio que isso já tenha engrenado, mas parece algo funcional nos EUA)
  • 615 bibliotecas abriram suas portas para escritores se reunirem, escreverem e trocarem experiências entre si
  • E em 2013, 44.919 campistas participaram do retiro de escrita online Camp NaNoWriMo

Considerando só os participantes da América do Sul e Central, em 2013, até o dia 28/11, haviam sido escritas mais de doze milhões de palavras. Alguém pode dizer que quantidade não significa nada. Impulsivamente eu estaria inclinada a concordar, mas nesse caso, acho que devemos dar uma segunda olhada para o cenário. O Nanowrimo não é de um jogo de caça talentos de onde se espera que surjam grandes obras da literatura (embora não seja impossível rolar algum best seller), estamos falando de tempo investido na atividade de trabalhar com a palavra, a imaginação, a criatividade, enfim. E há uma série de outros aspectos a serem valorizados, especialmente quando consideramos que a grande maioria dos participantes do NaNoWriMo é composta de jovens (falo do exercício da disciplina, de responsabilidade, de superação, enfrentamento de desafios). No mínimo, trata-se de um tempo aproveitado em algo mais rico do que simplesmente se deixar bombardear pelas toneladas de propaganda de todas as ordens que nos cerca na web, na rua, na TV a cada segundo de distração. Ainda, podemos arriscar que essa garotada que topa um desafio assim com a escrita, deve gostar de ler e isso já é suficientemente animador.

Pessoalmente, posso dizer que a experiência foi muito empolgante. No começo torci o nariz, porque acredito que um bom texto requer crítica, revisão e tempo de amadurecimento. Mas durante o NaNoWrimo, não há tempo para isso, é preciso produzir. No mínimo 1.667 palavras a cada dia. Cumprir essa meta tendo de atender à jornada de trabalho (no mínimo 8 h diárias, normalmente um tantinho mais), vencendo o tempo gasto no trânsito e a necessidade de manter a parte prática da vida (supermercado, exercícios, organização da casa, o jardim, os cães, os gatos, a tartaruga e todos os incidentes aos quais estamos sujeitos diariamente) não é nada simples. Os argumentos em favor da proposta, porém, me convenceram. Um amigo perguntou: “Por acaso você consegue escrever todos os dias? Duvido, então pensa que só isso já vale a pena”.

Bingo. Valeu a pena porque consegui escrever todos os dias – as vezes bem menos que o necessário, as vezes muito mais; porque aprendi a planejar certos aspectos da narrativa; porque descobri um curso online que está sendo muito bacana de fazer; porque dei andamento a uma ideia de narrativa que era apenas uma vaga ideia há mais ou menos dois anos; porque conheci gente mais preocupada com a diversão (ou com a necessidade) de contar uma história (ou estória, como queiram) do que em se promover como escritor; porque escrevi; porque tenho agora um material farto para trabalhar sobre (há trecho péssimos, muitos razoáveis e alguns realmente bons); porque ganhei apoio e carinho em casa; porque a experiência explicou-me, em definitivo, que não vivo sem escrever, e isso não tem nenhum correlação com ser uma escritora profissional ou de sucesso, tem a ver com respeitar minhas necessidades vitais.

Mas o NoNoWriMo não para nisso, depois de uma folga para que o texto decante, os fóruns para discussão, revisão, e em muitos casos, orientação para publicação estarão bombando no site. Não vou me prometer mergulhar no processo de revisão com a mesma pressão de prazo que me impus para produzir o texto, mas gosto da proposta geral e decidi partilhar aqui a experiência quase como um convite para que mais gente se engaje nessa ideia em 2014.

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