O que preciso saber para publicar sozinho(a)?


o que todo autor independente precisa questionar?

A autopublicação está em alta, especialmente no segmento dos e-books. Existem diversas opções de plataformas de autopublicação disponíveis em português, cada uma com funcionalidades pensadas para atrair um número crescente de autores.  Ao escritor que vai se lançar nesta empreitada cabe analisar as possibilidades de sucesso considerando sua disponibilidade de investimento (se não de dinheiro, de tempo, o que para muitos ainda é sinônimo), por isso listei alguns tópicos que podem ajudar a responder a pergunta “o que preciso saber para publicar sozinho(a)?”.

Pense em cada uma destas questões e reflita sobre cada uma delas de modo que esteja preparad@ ao assumir a decisão de publicar enfrentando sozinh@ a responsabilidade (e muitas vezes a execução) por todas as etapas do processo.

1 – O texto é realmente bom?

Parece muito natural que todo escritor que acredita no valor de seu trabalho deseje apresentá-lo ao mundo e vê-lo ganhar a atenção dos leitores. Mas, se estamos discutindo autopublicação, a autocrítica é fator essencial. Assim, é recomendável que, antes de ceder ao ímpeto de publicar questionemos honesta e humildemente o quão pronto está nosso texto.

Antes de ceder ao caminho mais fácil que é defender com unhas e dentes a qualidade de nossa produção, que tal um pouco de desconfiança? A dúvida em relação a nós e nossas criações é sempre um bom combustível para aprimorar o texto. Um bom trabalho de revisão crítica e correção gramatical são essenciais. Não um acessório, compreendam, mas um passo indispensável antes da publicação.

E aqui vale frisar uma questão importante: publicar de maneira independente não precisa (e talvez não deva) ser sinônimo de fazer tudo sozinh@. Uma revisão independente (se for profissional melhor ainda!) pode aumentar um bocado as chances de sua publicação crescer em qualidade. Não tem dinheiro para pagar? Escolha o amigo leitor mais chato e sincero que possa. Tapinhas nas costas e elogios não fundamentados serão de pouca valia, exceto para seu ego.

2 – O livro está apresentável?

A segunda questão, considerando que seu livro está concluído e foi bem revisado, tanto no aspecto gramatical / ortográfico como em relação à coerência, verossimilhança e todos os aspectos literários (ou técnicos, se for o caso) relevantes, é necessário cuidar de sua aparência.

Ele vai precisar de uma capa e deve estar bem diagramado. Claro, algumas das plataformas de auto publicação já conta com geradores automáticos de capas, uns melhores, com mais recursos de personalização, outros mais toscos. As plataformas de publicação de e-books oferecem também conversão automática do seu arquivo word para ePub ou Mobi (se ainda não sabe o que é isso, confira esse outro post).

Ainda assim, você vai precisar, no mínimo, de uma imagem relacionada com o conteúdo de seu livro e com alta definição. Vai precisar, não tem jeito. Pode pagar? Contrate um capista profissional, pois vai fazer diferença sim. Se a publicação for e-book, maior diferença ainda, pois é necessário pensar numa capa que funcione na visualização mínima em que o e-book aparecerá nas livrarias virtuais. Não despreze esse detalhe, ou a sua obra é que será ignorada pelos potenciais leitores.

E quanto à diagramação, se souber editar o material no Sigil , ótimo. De novo, se pode pagar, escolha um bom serviço de diagramação, com um especialista em e-book. Não, não ganho royalties indicando serviços de produção de e-books, apenas advogo que quanto menos tempo o autor gastar com isso (que não é o coração do seu trabalho, nem seu maior talento na maior parte dos casos) mais minutos poderá investir no texto em si. Mas se não há recurso disponível para tanto, trate de aprender como editar um e-book mininamente apresentável ou respeite rigorosamente as dicas de formatação em word das plataformas de auto publicação para que a conversão funcione direito.

No caso de versões impressas, um PDF muito bem feito já é um começo. Mas pense em espaçamento entre linhas, em margem, em divisão de capítulos. Tudo isso conta para a satisfação do leitor ou, ao menos, gera uma certa impressão de qualidade quando o livro é manuseado.

3 – A quem se destina o que escrevi?

Saber qual o público alvo de seus parágrafos ou versos não é somente uma questão de mercado (embora também seja, porque livros são, nunca negue isso, um produto que se pode e se quer vender); ter uma noção clara de para quem se escreve é importante para o amadurecimento do próprio texto. Quem escreve, escreve para ser lido, a menos que escreva por pura terapia e, nesse caso, a publicação não é sequer recomendada.

Saber quem é o leitor com quem deseja comunicar-se faz com que a linguagem, o tema, a abordagem se tornem mais claros. Então, se não tem ideia de como responder a essa pergunta, pare, volte ao começo e repense tudo antes de clicar no botão “publicar e disponibilizar para venda”.

Respondida essa pergunta fundamental, isso também ajudará, no caso dos e-books, a preencher os metadados, fator determinante para que seu livro seja encontrado por aqueles que pesquisam os temas / gêneros onde ele estará catalogado.

4 – Qual o objetivo da publicação?

Pretende lançar um best seller, concorrer a prêmios literários ou simplesmente ter uma publicação para distribuir incansavelmente até que algum leitor alvo preste atenção e quem sabe comente o seu texto? Com base na resposta a essa pergunta é que o autor deve elaborar o seu plano de divulgação, pois nenhum livro, seja impresso ou e-book, chegará ao público alvo sem um bom trabalho de divulgação / distribuição. E a natureza e intensidade dessa divulgação está diretamente relacionada ao objetivo.

Se o seu intento é lançar um sucesso de vendas, não posso dar nenhum conselho, e desconfio que se alguém sabe a receita, não vai dividi-la facilmente. Muito se tem falado sobre o uso de redes sociais e marketing digital como poderosos aliados para a divulgação de novos autores, mas os resultados não são exatamente garantidos. Há sim alguns bons exemplos e dicas que podem ajudar a percorrer um caminho que gere resultados palpáveis, mas não espere milagres.

Se quer participar de prêmios literários, não aposte apenas no formato digital, pois as barreiras ainda são grandes. E se quer formar um público leitor que atue como divulgador das suas obras, trabalhe na construção de uma boa rede de contatos – não confunda rede de contatos de leitores qualificados com adicionar qualquer pessoa que solicite amizade no facebook, a menos que tenhas todo o dia disponível para trabalhar incansavelmente gerando posts que te ajudem a manter uma audiência atuante (que curte, compartilha e,eventualmente lê / compra sua publicação).

Entenda quem são os formadores de opinião no gênero ao qual pretende se dedicar e busque estabelecer contato, sem insistir e chatear. Isso significa que para ter 10 retornos, precisará de uma lista de contato com pelo menos 300 pessoas. Ah, importante: não pense em convidar alguém cuja opinião poderá ser de grande valia a comprar o seu livro, é sempre bom não nos darmos importância em excesso. Se a opinião de alguém pode ser valiosa, presenteie esse alguém com seu livro e em hipótese alguma cobre um parecer.

5 – Pronto(a) para o fracasso absoluto?

Vamos direto ao ponto: o Brasil não é um país reconhecido mundialmente como grande consumidor de livros (de qualquer natureza) e esse é um fato a ser considerado. É verdade que há, felizmente, alguns dados animadores no horizonte, ainda que se refiram à venda dos 150 tons de cinza ou históricas vampirescas em geral, mas é importante não alimentar expectativas exageradas quanto às chances de sucesso.

Tenha em mente que uma alternativa para alcançar públicos leitores mais numerosos é o investimento em tradução. Tática que alguns brasileiros já vem colocando em prática e com algum sucesso.

Mas, principalmente, entenda que, não vender não é sinônimo de que seu livro não é bom (assim como vender não é sinônimo do contrário) e se escrever e publicar é um desejo incontornável, pense novamente em cada uma das perguntas que sugeri aqui e acrescente outras que tenha pesquisado por aí. Construa seu próprio repertório de aprendizado e comece tudo de novo, sem repetir as mesmas falhas. E boa sorte!

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